© Todos direitos reservados a Aprendendo a Pensar

info@aprendendoapensar.com.br

+55 11 96466-2184

Av. Paulista, 726 - 13º andar - Conj.1303 - Bela Vista

01310-100 - São Paulo - SP

  • Instagram - Black Circle
  • Preto Ícone Facebook
  • Preto Ícone LinkedIn
  • Xiko Acis

Toda unanimidade é burra!

Na sua primeira reunião como gerente, Pedro só conseguiu convencer 2 dos seus 10 colaboradores sobre uma ideia inovadora para sua área. Saiu da reunião um pouco abalado e pensando: "Como posso ser um líder se meu pessoal não apoia minhas ideias?". A resposta mais conveniente que ele encontrou foi por que era novo no cargo e não tinha muita experiência como líder.


Resolveu investir em um curso de liderança. Aos poucos viu que já havia mais colaboradores apoiando suas ideias. Seguindo no seu desenvolvimento pessoal, resolveu fazer um curso de negociação, depois de líder motivador, em seguinda gestão persuasiva, e assim por diante.


Passo a passo foi conseguindo quase unanimidade nas suas reuniões, embora os resultados finais de seus projetos não estivessem muito bons. Apenas uma pessoa não concordava ainda com suas ideias. Cansado de investir em cursos para melhorar a forma de persuadir liderados, resolveu demitir o resistente. Afinal, Pedro já era um líder muito experiente, ou seja, já havia passado um ano desde sua promoção para gerente, e todos de sua equipe já concordavam com suas ideias. Ficar com um resistente era perda de tempo. Precisava que seus projetos tivessem resultados melhores.


Quando João estava deixando a empresa encontrou com Pedro no estacionamento e este lhe perguntou: "Não era mais fácil você concordar como todos estava fazendo?"


João respondeu: numa reunião onde 10 pessoas têm a mesma opinião, 9 são desnecessárias. Não acha?


(Qualquer semelhança dessa história com fatos reais da sua organização, é mera coincidência!)


Há um paradoxo nas organizações em relação à diversidade. Enquanto busca unanimidade e harmonia no grupo, por outro lado ela inovações sustentadoras e disruptivas para oxigenar processos. Quer pessoas criativas, só que pensando da mesma maneira.


"A unanimidade é burra", já dizia Nelson Rodrigues.


Precisamos da diversidade e da liberdade o tempo todo para construirmos organizações singulares e contributivas. Precisamos também da arte do consenso e do desapego. É nesse ponto que os líderes devem trabalhar com suas equipes. Em uma reunião, finalizada a fase de argumentação, entramos na fase de definições. Nesse momento haverá pessoas que concordam com o projeto e pessoas que não concordam. Não se deve gastar energia buscando unanimidade. Deve-se mostrar que, em um grupo maduro, as pessoas podem não concordar, mas quando for decidido ir em frente com o projeto, essas pessoas devem apoiar a decisão do grupo. "Não concordo, mas apoio". É isso que o líder deve buscar e estimular no trabalho colaborativo e não ir atrás de melhorar sua técnica de persuasão.


Você deve pensar: "Será que quem não concorda apoia mesmo?" Boa pergunta! A resposta é: inicialmente não. É aí que a energia do líder deve ser investida. Ele tem que monitorar o comportamento dos resistentes ajudando-os a entender o "para quê" o projeto está sendo realizado e "por quê" é fundamental o apoio de todos.


Na avaliação final do projeto, é comum que os resistentes tenham mudado de lado mesmo que o projeto não tenha sido um sucesso. É óbvio que terá a turma do "Eu não disse?" Mesmo assim terá valido a pena a experiência e com o tempo e melhoria de repertório a flexibilidade do grupo será mais visível.


Se seu "chefe" quer a unanimidade, não mude o seu jeito de pensar... mude de "chefe"!

18 visualizações