Sua empresa morrerá quando você morrer?


Paul MacLean (01/05/1913 – 26/12/2007) médico e neurocientista americano criou a teoria do cérebro trino. A teoria de MacLean parte do pressuposto que o cérebro humano resulta da existência de três cérebros em um: o complexo réptil, o sistema límbico e o neocórtex.


A primeira parte é o cérebro reptiliano. Esta é a parte menor do nosso cérebro é responsável pelas necessidades básicas e essenciais de sobrevivência como: fazer a digestão, o sono, respirar ou assegurar o batimento cardíaco. Estas ações são de caráter mecânico e instintivo, por isso o nome. A segunda parte é o sistema límbico comum a todos os mamíferos. É responsável pela proteção, emoções e sentimentos. Este sistema é capaz de aprender e transformar as emoções em memória. Finalmente, este autor defende a formação de um terceiro cérebro, o neocórtex, que é a parte maior e mais evoluída do cérebro. Este cérebro deu-nos uma consciência e um raciocínio lógico ou argumentativo, distingue os humanos dos outros animais.


Penso que quando criamos uma empresa, ela está mais ligada ao cérebro reptiliano do que ao neocórtex. Digo isso em função de estabelecermos uma relação mais de "sobrevivência" com o negócio do que com perenidade. Queremos ter um negócio para sobreviver dele. Simples assim.


O erro nesse processo é que o negócio criado dessa forma, dura até a nossa morte, pois foi assim que concebemos. Deste modo, esse negócio vai virar uma herança para os sócios remanescentes e/ou descendentes. Muitas vezes uma herança maldita de difícil solução, fruto do cérebro reptiliano, aquele que nos faz apenas sobreviver e não viver.


A mudança do paradigma está em criar um negócio com o sistema límbico, ou seja, cheio de emoções e sentimentos (propósito/significado) que será conduzido pelo neocórtex, com razão e foco, para se transformar em legado durante toda sua existência e não só a do criador.


Isso é possível e se mostra real quando encontramos no mundo, cerca de 10 empresas com mais de 1.000 de existência. Todas familiares e com resultados. O que elas têm em comum? Foram criadas por pessoas que não queriam apenas a sobrevivência. Queriam deixar um legado para eternidade.


Se você olhar o mundo, em relação a longevidade das empresas, você encontra dados como:

  • Pesquisa feita em 41 países

  • Existem 5.586 empresas com mais de 200 anos

  • 3.146 estão localizadas no Japão

  • 837 na Alemanha

  • 222 na Holanda

  • 196 na França

  • No Japão existem mais 21.000 empresas mais de 100 anos

  • 89,4% das empresas com mais de 100 anos de história são empresas que empregam menos de 300 pessoas.

  • 81,7% são empresas familiares

Essas empresas longevas têm em comum 5 pontos fundamentais que são: Identidade, Austeridade, Tradição, Gente e Longo Prazo.


Identidade: As organizações mais antigas têm um forte senso de identidade corporativa, significado e propósito. Expressam seus valores culturais em todo momento e em todas as relações: clientes, fornecedores, colaboradores, etc. Sabem exatamente “Para Quê Existem” , “Para Quem Existem”, “Em Qual Negócio estão” e “Quais seus Diferenciais Únicos”.


Austeridade: As organizações são mais conservadoras no financiamento e tendem a ter baixos níveis de dívida para financiar o seu desenvolvimento. Investem em projetos que tenham estudos profundos de viabilidade. Valorizam o repertório dos colaboradores e entendem que, “sem paixão”, não há negócios. Não fazem gestão de crises. Apenas superam!


Tradição: As organizações atuam melhor na gestão de mudanças que a maioria, e acreditam que isso é importante para honrar o passado e manter sua reputação. A maioria das alterações são pequenas melhorias incrementais contínuas. Mudanças mais profundas são planejadas por muito tempo por equipes que conhecem o passado, presente e futuro.


Gente: As organizações “olham” para dentro no momento de escolher líderes. Acreditam que a história de cada um é importante e faz parte da história da empresa. Tendem a transformar pessoas em “guardiões” de projetos, processos e causas através de investimentos na educação. Valorizam a alteridade e gostam de pessoas que agem dessa forma.


Longo Prazo: As organizações pensam sempre no longo prazo. Sua marca maior é continuar na comunidade onde nasceram, mesmo que tenham vantagens fiscais em outros lugares. Valorizam os relacionamentos longevos e priorizam essas relações locais na hora de escolherem seus fornecedores, clientes, colaboradores, etc.


A mente que pensa o negócio como legado não é a reptiliana. Pense nisso e reveja se o seu negócio é herança ou legado. Ainda é possível mudar o paradigma e construir legados ricos, éticos, inspiradores e perenes.

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