• Xiko Acis

Solidão com Casa Cheia.


Tenho conversado com muitos jovens e quando pergunto qual seria o seu maior medo na vida, a resposta é, invariavelmente, ficar/terminar sozinho.


Quando pergunto novamente : “o que você tem feito para que isso não ocorra?” a resposta é: estou adquirindo bens e estabilidade financeira, construindo uma carreira profissional e escolhendo bons amigos e relacionamentos.


A imagem que faço, quando escuto essas respostas, é de um jovem olhando para o mundo como se fosse um grande supermercado, em que as “coisas” que ele quer estão espalhadas pelas prateleiras. Ao escolher o que deseja, ele garante o seu futuro com sucesso e a certeza de que não ficará sozinho. Afinal, como alguém pode ficar longe de quem tem sucesso na vida... não é mesmo?


O que sinto com esse discurso é que esses jovens realmente não ficarão sozinhos. Haverá várias pessoas iguais a ele que estarão por perto para “curtir” o sucesso. Afinal, quase todos têm mais de 1000 amigos nas redes sociais. Penso também que, embora acompanhados, esses jovens sofrerão do sentimento de solidão. Um vazio profundo habitará a alma e a mente desses jovens que estão construindo o futuro sem analisar com mais rigor e profundidade suas ações em relação a sua existência presente.

O

que é “meio” está virando “fim”. Os bens materiais que deveriam ter a função apenas de “meios” para se ter mais conforto, estão assumindo a importância brutal de um “fim” em si mesmo. Só quem tem o melhor tablet pode pertencer a determinado grupo. Quem tem a última versão do celular. O melhor carro. Um apartamento descolado. E assim por diante.


A postura de “ter” sempre veio antes do “ser” na história da humanidade. Pensamos que podemos preencher vazios com as coisas materiais que o dinheiro pode comprar.

Compramos essas coisas mas o sentimento de “solidão com casa cheia” ainda nos invade. Só vamos perceber que isso ocorre depois de ter trilhado o caminho do “ter”.


Somente quando a solidão nos arrebata de forma dramática é que vamos tentar reverter o quadro. Alguns vão buscar nas drogas (lícitas e ilícitas) a tentativa de preencher o vazio. Encontram somente prazeres efêmeros que os consomem até a morte. Outros continuam buscando exteriormente o que está guardado no seu interior. Apenas poucos conseguem encontrar a razão de sua existência. O “para quê” existem e preencher o vazio de dentro para fora. Esses, mesmo que tarde, viverão cada dia de forma completa.


Não podemos tratar dos nosso relacionamentos reais como tratamos os nossos relacionamentos virtuais. Amigo não se deleta!


Enquanto os jovens pensarem que não estar sozinho acaba com o sentimento de solidão, haverá consumo exacerbado e irresponsável. É nisso que os anunciantes apostam.


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