Motivação por Indignação!

Por quê a maioria dos indicadores das empresas (EBTIDA, Share, Liquidez, Produtividade, etc.), visam apenas o aumento da sua performance? Uma empresa é feita apenas para crescer? Ao seguir somente essas metas de crescimento/desenvolvimento o Líder está buscando atender quais interesses? Por quê quando concebemos um negócio não estabelecemos um limite de tamanho para esse negócio?


Penso que as respostas para essas questões são mais complexas do que imaginamos. O Homo Lupus(predador) habita em nosso interior e quer mais e mais todos os dias. Conquistar cada vez mais é, para muitos líderes, a sua principal motivação. Pensamos muito pouco ou quase nada em estabilizar os negócios em um patamar e lá ficar. A sensação que temos é que, se ficarmos estáveis em um determinado tamanho, outra empresa assumirá a demanda existente e crescerá mais do que a gente, tornando uma grande ameaça. Pode até acontencer dessa empresa acabar nos destruindo e/ou nos comprando, gerando com isso muito medo em nossas mentes.


Esse medo atávico (atávico vem do latim atavus que quer dizer o 4º avô) é fruto de uma época onde o crescimento era vital por não existir concorrência e nem opções. Era um modelo mental que associava a posse, o crescimento desenfreado ao poder e respeito. Hoje queremos crescer sem entender que existem mais e mais empreendedores que também querem abrir seus negócios e conquistar uma fatia de mercado. Nosso pensamento é orientado para afirmar que: concorrente bom é concorrente morto!.


Será que não deveriam existir somente empreendimentos de pequeno porte, conectados com seu pequeno mercado, atendendo um pequeno grupo de clientes e assim por diante? Creio que é mais saudável pensar pequeno nos dias atuais, na maioria das atividades.


O pensamento desenvolvimentista, na maioria das vezes, é um pensamento egoísta e não colaborativo. Ficar rico não é gerar riqueza. EBITDA Alto não representa colaboradores saudáveis. Domínio de Mercado não se traduz em ética.


Tenho convicção que a mudança de modelo mental surgirá muito mais no âmbito empresarial do que no educacional, social, familiar ou governamental. É a empresa que tem chances de tornar o ser humano mais humano e responsável. O Contrato Social da empresa, tem que ser um contrato social literalmente falando, ou seja, ele tem que participar da melhoria da sociedade como um todo.


Temos que modificar nossas métricas/indicadores. Esses novos indicadores nos devem orientar (empresas/pessoas) para o Ser e não só para o Ter. É óbvio que um negócio deve dar resultados. O que devemos discutir é o que chamamos de resultados e como vamos compartilhar esses resultados com a sociedade. As empresas devem se tornar mais sensíveis com a condição humana existente. Todos os esforços e energia devem ser focados no bem estar do ser humano e não humano de hoje e de amanhã. A visão de futuro é, essencialmente, colaborativa. O que deve nos motivar (empresas/pessoas) é a indignação.


E você, quais são suas métricas individuais? O seu legado, para seus filhos e para a humanidade, será só de bens materiais?

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